December 21, 2009

A DESTERRITORIALIZAÇÃO NA OBRA DE DELEUZE E GUATTARI

ROGÉRIO HAESBAERT E GLAUCO BRUCE1Departamento de Geografia Universidade Federal Fluminense

des-re-territorialização tal como se apresenta na obra desses autores, cientes do grande potencial que ela nos reserva para explorações no campo da Geografia. Dessa forma, quando discutimos a desterritorialização, para além do debate filosófico estamos, direta ou indiretamente, balizados por problemas e questões concretas. Indagarmo-nos sobre qual o problema que queremos resolver é o primeiro passo para a construção dos conceitos e do próprio pensamento. Por trás de todo o debate teórico, aqui privilegiado, está a crescente difusão das questões ligadas ao que vulgarmente se denomina “o fim dos territórios” (BADIE,1995) ou, mais amplamente, o enfraquecimento da dimensão espacial na vida social.

Conceitos para a Geografia?

A relação entre Deleuze-Guattari e a Geografia pode ser vista em duas perspectivas: a primeira, através da presença de questões ou de uma abordagem geográfica no próprio interior da obra desses autores, mesmo que sem alusões explícitas ao discurso dos geógrafos; a segunda, o discurso geográfico que se utiliza da filosofia de Deleuze e Guattari.

De qualquer forma, a geografia encontra-se amplamente presente no trabalho de Deleuze e Guattari. Roberto Machado (1990) dá ênfase à “geograficidade” da genealogia deleuzeana afirmando: Sua característica mais elementar é o fato de ela se propor mais como uma geografia do que propriamente como uma história, no sentido em que, para ela, o pensamento, não apenas e fundamentalmente do ponto de vista do conteúdo, mas de sua própria forma, em vez de constituir sistemas fechados, pressupõe eixos e orientações pelos quais se desenvolve. O que acarreta a exigência de considerá-lo não como uma história linear e progressiva, mas privilegiando a constituição de espaços, de tipos. (p. 9)

Machado fala então de uma “geografia do pensamento” deleuzeana, “profundamente dualista”, baseada em dois espaços heterogêneos e antagônicos, propriedade não apenas da filosofia, mas do pensamento em geral.

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