December 21, 2009

e-mail do prof. dr. Marcus Salgado, amigo de longa data, comentando intenções do trabalho em dez.2009

“…em um ensaio, a princípio semiótico, de sua sinalização, seu lugar no imaginário paulistano, suas estratégias de condicionamento e a massante propaganda em torno da idéia ” projeto expansão” do atual governo do estado.>

altieres, de cara te digo: recorte com mais precisão teu trabalho. aí no que vc falou existem pelo menos 5 objetos distintos:

1) o sistema semiótico do metrô; este, por sua vez, poderia ser semioticamente analisado em cada um de seus subníveis – ou seja: o sistema semiótico do metrô no plano pragmático (a relação dos usuários com os signos),no plano icônico (design, placas, símbolos etc), no plano indicial (como rastro de comandos ideológicos super-estruturais);

2) o metrô no imaginário paulistano;

3) as estratégias de condiciomanento do metrô;

4) metrô e técnicas de propaganda;

5) cooptação dos espaços do metrô como aparelho ideológico do estado.

vc deveria escolher uma dessas 5 possibilidades e aprofundar-se verticalmente nela. tentar dar conta de tudo isso numa monografia acadêmica é, além de talvez impossível, metodologicamente forçado.

o recorte é tudo. recortando bem, a coisa flui.

vc terá que defender esse trabalho perante uma mini-banca?

abx
Resposta e novos esboços:
Obrigado, meu caro, pela dica;
realmente o recorte é o objetivo: estabelecê-lo é, no momento a dificuldade.
o que me coça mais são primeiro e quinto temas; penso que, e aí é  até uma pergunta, em uma introdução poderia tangenciar, contextualizar, alguns dos outros temas;
em um provável estudo semiótico, dentro do referido primeiro tema, encontraria alguns referencias clássicos da semiótica – e aí o Noth é muito categórico no seu livro, quanto esses catálogos de semióticas influencias por Pierce ou até mesmo o interessante trabalho de Umberto Eco no assunto (já viu aquele Apocalípticos e Integrados?).
contudo a própria semiótica do metrô sofreu alterações drásticas, você deve ter reparado, nos últimos anos; “eles” pegaram pesado com estratégias de condicionamento que, em se tratando da população que o utiliza, de acordo com os referenciais que tenho do comportamentalismo, são deveras eficazes e necessários;
o Eco vai falar, em seu tratado semiótico, de algo – expressando-me, mais uma vez de forma grosseira – como os tais três níveis que o Pierce se debruça, porém com outro desdobramento (dizem que isso está em um tal de Seis Passeios Pelos Bosques da Ficção, que ainda não o li): no primeiro, e aí pra qualquer mensagem, pra qualquer peça publicitária, texto literário ou filme, o sujeito sente-se capturado pela história; vai pelas emoções primárias mesmo, projetando-se, sendo capturado pela história ou texto, enfim;
em um segundo nível, o sujeito atentaria-se por desmontar pedaços de cenário: como essa peça, texto ou produto foi criado, que estratégias o cara que criou utilizou para criar clímax, introduções, finais, etc. (entendi isso, na aula, lembrando-me de uma conversa que tivemos, quando você disse que ouvia música e conseguia ler as intenções do produtor)
um terceiro nível, pelo que entendi, e nesse terceiro passível de distorção maior que os outros dois, estaria algo próximo de uma síntese, de uma relação do texto, produto, peça com a cultura; um desdobramento do segundo nível, ampliado não só para o autor em si, mas para o zeitgeist, assim por dizer.
quando o metrô lança uma campanha publicitária com personagens, realmente, e dizeres do tipo “não atrase a vida dos outros” – essa campanha é com a imagem de uma moça, de vinte e poucos anos, com uma camiseta escrita “embarque seguro” – não estaria valendo-se de estratégias de tirar o campo reflexivo do sujeito? como se as semióticas antes usadas, elegantes por sinal, não fossem suficientes, dáí uma estratégia em que o sujeito se indentifique em um nível mais primário – e aí outros autores, chamando de pós-modernismo ou não, vão se debruçar sobre isso, sobre essa ilusão de interatividade, protagonismo que peças, reality’s shows”, apelos publicitários ;
por trás disso, é o próprio aparelho ideológico do estado produzindo, cooptando, como você lançou luz, idéias, ideologias, nesse outro jeito do estado aparecer e ser eficiente que é camuflar-se; em breve, meu caro, teremos sim notícias de uma trajédia no metrô paulista, com dezenas de mortes; a superlotação é uma bomba-relógio. por exemplo, vi que no rio os caras não perdoaram, meses atrás, atrasos sistemáticos nos trens e a depredação foi geral; no metrô não.
Não é só pela segurança, é pela ilusão do metrô como um espaço alheio ao cotidiano da cidade, um inter-espaço, um interlúdio de tempo do sujeito, em que ele entra em um transe, distancia-se do que é fora do metrô, ou com seu aparelho de mp3, ou o sono, ou o olhar sem olhar, audição sem escuta…
o condicionamento aí foi eficaz;
obrigado, meu caro, pelos comentários e pela leitura deste esboço; começa assim, e sabes quanta valia essa troca pode ter.
a orientação será de um bom professor, Clovis Pereira o nome dele.
não haverá defesa, e sim uma breve apresentação (powerpoint?).
forte abraço.

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